O passe

O que são fluidos
Preparando-se para o passe
O que é passe
A posição do receptor e do passista.
Seu mecanismo
Observações.
O passe ao longo da história
O começo da aplicação do passe.
Tipos de passes
Durante a aplicação do passe
Centros de força
Finalizando o passe.
O passista
Prece final

 

O que são fluidos.

Os fluidos são o veículo do pensamento dos Espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados. Todos estamos mergulhados no fluido universal, ou fluido cósmico, substância básica da Criação, que varia da imponderabilidade (matéria sutil) até a ponderabilidade (matéria densa).

"O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano." André Luiz

topo

 

O que é passe.


O passe é uma transfusão de fluidos de um ser para outro.

Emmanuel o define como uma "transfusão de energias físio-psíquicas". Beneficia a quem o recebe porque oferece novo contingente de fluidos já existentes. Emmanuel o considera "equilibrante ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos" e compara sua ação à do antibiótico e à assepsia, que servem ao corpo frustrando instalação de doenças.

topo

Seu mecanismo

Estamos constantemente irradiando e recebendo fluidos do meio em que habitamos, bem como dos seres (encarnados ou não) com quem convivemos, numa transmissão natural e automática. Sempre que pensamos e sentimos, estamos a movimentar esses fluidos, ou energias. Cada estado de alma corresponde à emissão/absorção de um certo tipo de energia, que entra pelos centros de força espiritual, mediante a sua natureza, incorporando-se à tessitura do perispírito (corpo espiritual) e trazem-nos estados de mau-estar ou de bem-estar. Pensamos e agimos, criando assim a nossa própria (in)felicidade.

Para que o passe alcance o melhor resultado, é necessário:

1)

que o passista use o pensamento e a vontade, a fim de captar os fluidos, emiti-los e fazê-los convergir para o assistido;

2)

que haja um clima de confiança entre o socorrista e o assistido, a fim de se formar um elo de força entre eles, pelo qual "verte o auxílio da Esfera Superior, na medida dos créditos de um e de outro";

3)

que o assistido esteja receptivo, para que sua mente adira à idéia de trabalho restaurativo e comece a sugeri-lo a todas as células do corpo físico; então irá assimilando os recursos vitais que estiver recebendo e os reterá na própria constituição fisiopsicossomática.

(Cap. XXII, Mediunidade Curativa, do livro "Mecanismos da Mediunidade", de André Luiz).

topo

O passe ao longo da história

Ao contrário do que podem pensar alguns, o uso do magnetismo como forma de cura é bastante antigo, sendo utilizado desde a antigüidade e não surgiu com o Espiritismo, não sendo uma criação da Doutrina Espírita. Esse meio de socorrer os enfermos do corpo e da alma já era conhecido e empregado na antigüidade.

Na Caldéia e na Índia, os magos e brâmanes, respectivamente, curavam pela aplicação do olhar.

No Egito, multidões acorriam ao templo da deusa Isis, procurando o alívio dos sofrimentos junto aos sacerdotes, que lhes aplicavam a imposição das mãos.

Jesus o utilizou, "impondo as mãos" sobre os enfermos e perturbados espiritualmente, para beneficiá-los e ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram, largamente, como vemos em "Atos dos Apóstolos".

Ao longo dos tempos, o passe continuou a ser usado, sob várias denominações e formas, em todo o mundo, ligado ou não a práticas religiosas.

No século anterior a Kardec, tudo o que então se conhecia sobre fluidos e como empregá-los estava consubstanciado no magnetismo, de que o médico austríaco Franz Anton Mesmer foi o grande expoente, beneficiando muitos enfermos. Mas havia, ainda, muita ignorância sobre o que fossem os fluidos e a forma de sua transmissão.

A codificação da Doutrina dos Espíritos, por Allan Kardec, permitiu entendermos melhor o processo pelo qual o ser humano influencia e é influenciado fluidicamente, tanto no plano material como no espiritual.

Na atualidade, o passe continua a ser empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes e aparências diversas (benção, unção, johrei, benzedura ...). Pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam.

É no meio espírita, porém, que o passe é mais bem compreendido, mais largamente difundido e utilizado. O passe que Jesus ensinou e exemplificou veio a se tornar uma das principais práticas de ação fluídica. Nada mais natural, pois o Espiritismo é a revivescência do puro Cristianismo.

Topo

Tipos de passe

Os Espíritos superiores explicam, através da codificação kardecista,  que as mãos servem como instrumento para a transmissão do magnetismo humano que, com as energias distribuídas pelos Espíritos, constituem o passe espírita. 

Devido aos excessos, infelizmente mais comuns do que seria de desejar, de gesticulação, e de outros atavismos como estalidos de dedos, sem referência experimental e muito menos científica, o melhor passe, a exemplo de Jesus, é, sobretudo e apenas, a imposição das mãos, sem tocar na pessoa que vai receber o passe. Isso porque o que funciona, na verdade, é a mente.

Tipos de passes:

1)

Magnético - Quando ministrado somente com os recursos fluídicos do próprio passista (magnetismo humano).

2)

Espiritual - Quando ministrado pelos Espíritos, unicamente com seus próprios fluidos (magnetismo espiritual), sem o concurso de intermediário (passista). Os Espíritos agem com observância da sintonia e considerando os méritos ou necessidades do assistido, que, às vezes, nem percebe ter sido beneficiado. Para receber um passe espiritual basta orar e colocar-se em estado receptivo.

3)

Humano-espiritual - Quando os Espíritos combinam seus fluidos com os do passista, dando-lhes características especiais. "O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de impurezas físicas e morais do encarnado; o dos bons Espíritos é, necessariamente, mais puro e, por isto mesmo, tem propriedades mais ativas, que acarretam um fortalecimento mais pronto".
(Revista Espírita Set/1865 - "Da Mediunidade Curadora")

O concurso dos Espíritos poderá ser espontâneo ou provocado pelo passista, com uma prece, ou simplesmente num propósito (que eqüivale a um apelo íntimo). Essa assistência espiritual é sempre desejável.

4)

Mediúnico - Quando os Espíritos atuam através de um encarnado mediunizado. O fluido dos bons Espíritos "...Passando através do encarnado, pode alterar-se um pouco..." (como água límpida passando por um vaso impuro) "...Daí, para todo verdadeiro médium curador, a necessidade absoluta de trabalhar a sua depuração".
(Revista Espírita, set/1865 "Da Mediunidade Curadora").

5) Coletivo - Quando a equipe do passe magnético é de pequeno número face à multidão que o procura, sem qualquer prejuízo para os eventuais beneficiados, recorre-se ao passe coletivo. Uma vez que o principal, neste processo de ajuda espiritual, é a sintonia do candidato a receber o passe, os próprios espíritos-passistas durante a palestra ministram bênçãos fluídicas a quem estiver nas condições necessárias para participar na ocorrência deste fenômeno enquanto beneficiado.

Haverá ocasiões em que seja bom e mesmo necessário o passista atuar inteiramente mediunizado. Mas, NOS SERVIÇOS COMUNS DO PASSE NUM CENTRO, ISSO NÃO É ACONSELHÁVEL, porque:

a)

nem sempre o assistido está preparado para presenciar manifestações mediúnicas e poderá se impressionar mal, mesmo sem que o espírito interferente chegue a falar qualquer palavra;

b)

poderá causar uma diferenciação entre os passistas, que não se justifica, e é indesejável.

A aplicação do passe não é o momento adequado para as manifestações mediúnicas.

Quem é médium, além de passista, tem as reuniões apropriadas para dar passividade aos espíritos comunicantes. "Interromper as manifestações mediúnicas no horário de transmissão do passe curativo. Disciplina é a alma da eficiência". (André Luiz).


topo

O passista

Quem pode aplicar passes?
Em princípio, qualquer pessoa saudável e de boa vontade em auxiliar pode aplicar passes. Não lhe faltará ajuda espiritual, porque, na falta de elemento mais eficiente, os espíritos utilizam todo aquele que se dispuser ao passe, tendo saúde e razoável equilíbrio. Mas, para servir bem neste campo, de modo mais efetivo, é preciso que se cultive e mantenha algumas condições básicas, a saber:


1)

Fisicamente
Ter saúde e boa disposição. É indispensável que o passista cuide do físico, porque no passe há contribuição magnética pessoal, e do seu estado de saúde dependerão: a quantidade e qualidade dos fluidos que doará.

Devem abster-se de dar passes as pessoas com doenças graves, infecciosas, debilitantes e durante desequilíbrio espiritual, pois não estão em condições de doar fluidos. Mas, as indisposições ligeiras ou estados crônicos não debilitantes nem contagiosos, não são impedimentos para que se aplique passes (ex. dor de cabeça, bronquite, alergia). Os cuidados do passista com o físico visarão os seguintes aspectos:

higiene, para assegurar a própria saúde e a dos assistidos;

alimentação, que será sem excessos, adequada ao organismo, com alimentos que ofereçam maior concentração energética;

abstenção de vícios, tais como o álcool, fumo, tóxicos, pois prejudicam o organismo e o rendimento do passista, impregnam maleficamente os fluidos e servem de atração aos maus espíritos;

evitar atividades esgotantes e excessos desnecessários, a fim de manter suas reservas de energia vital em condições de servir.

 

   
2)

Espiritualmente
Cultivar as virtudes e manter conduta cristã. É indispensável que o passista se cuide espiritualmente, para que produza fluídos bons e não altere prejudicialmente as energias que recebem dos bons Espíritos. Os cuidados do passista, quanto ao espírito, visarão, principalmente:

o sentimento fraterno, o desejo sincero de ajudar ao próximo;

a fé em si mesmo, na ajuda dos poderes divinos e na possibilidade de beneficiar com o passe;

a reforma íntima, buscando sempre se aperfeiçoar moralmente;

o equilíbrio emocional, para não se desgastar nem perturbar por mágoas excessivas, paixões, ressentimentos, inquietudes, temores, nervosismo...

abster-se de aplicar passes, quando em desequilíbrio espiritual acentuado. Entretanto, não impedem que apliquemos passes aquelas alterações de ânimo que são comuns às aflições e problemas cotidianos, porque isso tudo nos cumpre superar na oração e no desejo de servir;

a perseverança e assiduidade no trabalho, para que os amigos espirituais possam confiar e contar com a pessoa para a tarefa. O passista deverá manter sempre uma conduta cristã, porque a necessidade de aplicar passe em alguém pode surgir a qualquer momento e deverá estar preparado.

   
3)

Intelectualmente:
Ter conhecimentos específicos sobre o passe. Portanto, não ficar só aguardando que lhe surja naturalmente a qualidade de passista, como se ela fosse um acontecimento miraculoso e não um serviço do bem, que pede do candidato o esforço voluntário e laborioso do começo. Convém procurar conhecer os mecanismos do que está lidando e para quê servem, também para poder oferecer maiores condições ao espírito magnetizador que quiser nos assistir.

É aconselhável aos passistas fazer estudos relacionados ao passe, técnica de aplicação, curas, radiações espirituais, centros de força, preparo do ambiente e do assistido etc.

Ausência de estudo significa estagnação, em qualquer setor de trabalho.

Topo

Preparando-se para o passe

Para o melhor resultado da emissão e recepção dos fluidos, o passista e o receptor precisam estar convenientemente preparados.

Preparo do receptor
Pelo seu estado mental e emotivo, o receptor enfermo ou sofredor poderá ter, em relação ao passe, um estado receptivo, repulsivo ou neutro. O ideal é que esteja receptivo, pois o passe será tanto mais eficiente quanto mais intensa a adesão da vontade do paciente ao influxo recebido. Por isso, o passista, antes de aplicar o passe, deve procurar estabelecer com o receptor a simpatia possível, animando-o e interessando-o nas coisas espirituais.

Orientará, em síntese, sobre o seguinte:


os fluidos existem e as leis divinas permitem que trabalhemos com eles para aliviar e curar os nossos males;

é preciso ter fé, não como mera atitude mística, mas sim como força atrativa e fixadora das energias benéficas;
fé + recolhimento + respeito = receptividade;
ironia + descrença + dureza de coração = refratariedade.
o receptor deve orar, silenciosamente, enquanto recebe o passe, para acolher e assimilar bem as energias que lhe forem transmitidas;
o passe sempre beneficia, mas o grau dos resultados se fará de acordo com a fé, merecimento ou necessidade.

O preparo do passista será feito através de:

1)

Concentração - Para tudo que vamos fazer, precisamos, primeiramente, nos concentrar, centralizar a atenção no que vamos fazer. No caso do passe, quem o vai transmitir deve firmar o pensamento na atividade espiritual que irá desenvolver, no bem que deseja fazer ao assistido e na concorrência que pretende obter do Mundo Maior para essa realização.

   
2) Oração - "A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai". (André Luiz, Cap.17 Serviço de Passes, "Nos Domínios da Mediunidade") Orando, o passista consegue:

expulsar do próprio mundo interior os sombrios remanescentes da atividade comum da luta diária;

sorver do plano espiritual superior as substâncias renovadoras para, depois, operar com eficiência em favor do próximo;

atrair a simpatia de veneráveis magnetizadores do plano espiritual.

André Luiz, no Cap. XVII, Serviço de Passes, em "Nos Domínios da Mediunidade", nos mostra Clara e Henrique meditando e orando para, em seguida, aplicarem passes nos necessitados. Fica evidente, pois, que não há necessidade alguma de o passista receber passe antes do trabalho, a fim de estar em condições de aplicar passes. Isto se não houver relegado seus deveres á esfera secundária, porque:

a oração precipitada, com que muitos tentam atrair vibrações salutares, no ato da assistência, raramente consegue criar um clima psíquico no agente ou no assistido que seja favorável ao êxito da tarefa;

a

simples imposição de mãos, com o conseqüente apelo às Potências Sublimes, não quer significar condição adequada.

Topo

A Posição do Receptor e do Passista

O receptor fica sentado, por ser para ele uma posição confortável e segura.

O passista, geralmente, fica de pé, para ter maior facilidade de movimentos durante a aplicação do passe, mas também poderá estar sentado.

O passista estará à frente ao assistido, desde o momento em que se concentra, e se aproxima dele no momento exato da efetiva aplicação do passe.

Topo

Observações

Deve-se ou não cruzar braços e pernas?
Wenefledo de Toledo, em "Passes e Curas Espirituais", diz que ao nos concentrarmos ou nos colocarmos em "estado receptivo" não devemos cruzar pernas ou braços porque isso interrompe a marcha das correntes fluídicas.

De nossa parte, porém, o que podemos dizer é que o corpo fica mais bem acomodado e a circulação se faz livre e perfeita, sem os braços e pernas cruzados.

É preciso retirar certos objetos que o assistido ou passista portem?
Não há necessidade de passistas ou assistidos retirarem sapatos, relógio, aliança, níqueis ou quaisquer outros objetos que tragam consigo, a não ser que possam incomodar ou distrair a atenção durante o trabalho (ex.: pulseiras ou colares que fiquem tilintando ou que atrapalhem os movimentos).

Também não é necessário tirar o maço de cigarros do bolso ou da bolsa, pois o problema não é a presença do cigarro, mas a presença do vício e, no caso do passista, a responsabilidade pela saúde do seu corpo, por causa da impregnação de fluidos e na atração das companhias espirituais indesejáveis.

Existe passe especial?
O passe especial foi uma denominação inadequada dada ao passe ministrado às pessoas em tratamento nos centros espíritas. Logo foi visto como sendo "diferente" e as pessoas querem recebê-lo a todo custo. Na maioria das vezes é desnecessário, pois o passe convencional atende às necessidades gerais.

A diferença entre os passes está na equipe espiritual que secunda os passistas no momento do atendimento, no tempo de imposição das mãos sobre o paciente e nas diversas fases do processo terapêutico utilizado nas casas. E, é claro, depende das condições morais de quem o aplica. De nada adiantam técnicas, formas ou teorias especiais se o passista for pessoa de má índole ou não trabalhar por sua depuração moral.

O que é água fluidificada?
É a água magnetizada por fluidos espirituais e humanos, realizada com as preces e imposição das mãos.

Por quê fechar o frasco que contém a água a ser fluidificada?
O frasco que contém a água a ser fluidificada tanto pode estar aberto quanto fechado. Por uma questão de higiene, certamente que será muito melhor que ele esteja com tampa. Isto não influi no resultado da magnetização, pois as substâncias colocadas na água pelos Espíritos que trabalham na fluidoterapia, através da imposição das mãos dos encarnados, atravessam os campos da matéria tangível com facilidade.

Topo

O começo da aplicação do passe

O passe propriamente dito começa com o estabelecimento do contato espiritual do passista com o receptor e a imposição das mãos.

Esse contato espiritual é o processo pelo qual o passista estabelece ligação mental e fluídica com o receptor, seja com este presente ou à distância. Às vezes, isso é conseguido em poucos instantes de concentração contínua. De outras vezes, por causas desconhecidas, leva mais tempo.

Sinais que denunciam o contato estabelecido.

Não são obrigatórios e nem sempre se apresentam, mas podem ser assim:

No passista
 

Impressão física causada pelos fluidos que começam a envolvê-lo, por qualquer parte do corpo (pernas, braços, cabeça, face, laterais do corpo). Sinais materiais, como formigamento da pele, dos pés, mãos; ondas de calor ou então palidez, por causa de alterações na circulação sangüínea devido a possível influenciação dos espíritos. Nada disso, porém, se ocorrer, causará qualquer mal efetivo a um passista bem preparado, que sabe reagir adequadamente ao que ocorre.

   
No receptor
 

Os mesmos sintomas podem ocorrer e ainda crises de choro por estarem bastante emocionados com o ambiente que os recebe. O passista deverá estar habilitado a reconhecer esses estados e, prontamente, evitar conseqüências desagradáveis. Desde que se aproxima do receptor para o passe o passista começa a penetrar no ambiente espiritual do assistido. Mas é ao impor as mãos que esse contato perispiritual se acentua.

A imposição das mãos

É o ato de o passista colocar as mãos acima da cabeça do assistido. Geralmente é feito com as mãos espalmadas, dedos levemente separados uns dos outros, sem contração muscular. É nessa postura que os fluidos serão conduzidos e dispersos.

O fluido vital, por ser elemento de natureza mais denso do que espiritual, circula como uma verdadeira força nervosa por todo o sistema nervoso e escapa especialmente pelas mãos. Força de natureza eletromagnética, ele modifica o campo vibratório do assistido, transmitindo-lhe novas energias.

Topo

Durante a aplicação do passe

Enquanto aplica o passe, o passista deve manter a seguinte disposição e atitude:

1) Intimamente
- Confiança e desejo de ajudar, tudo condicionado à vontade de Deus. Ou seja: FÉ, AMOR e HUMILDADE. Para uma disposição íntima assim, o "amparo divino é seguro e imediato".
- Serenidade, para poder registrar, através da intuição, a orientação espiritual para o passe que estiver aplicando.
- Mentalização de recuperação do assistido que está sob a ação dos mensageiros do Alto, porque receber, transmitir e fixar energias são funções exclusivas da mente.
- Substituir a curiosidade (que alguma enfermidade física ou espiritual possa causar) pelo amor fraternal, ou não haverá êxito.
   
2)

Externamente
A fórmula do passe não importa. Poderá obedecer à fórmula que maior confiança ofereça a quem o aplica como a quem o recebe (Pergunta 99 do "O Consolador" de Emmanuel). Mas o passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e naturalidade. (Item 54, cap. VI de "Obras Póstumas" de Allan Kardec).
"Lembrar-se de que na aplicação do passe não se faz preciso a gesticulação, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e de que não há necessidade de tocar o assistido. A transmissão do passe dispensa qualquer recurso espetacular". (André Luiz, cap. 28 de "Conduta Espírita").
Evitar, portanto, gestos cabalísticos, esfregar as mãos, estalar os dedos, mímicas, tremores, suspiros, assopros, gemidos...
Quanto ao toque no assistido, normalmente o passe espírita é feito sem tocar o enfermo. No Centro Espírita, especialmente, deve-se evitar tocar o assistidos, porque, além do toque ser desnecessário, na quase totalidade dos casos que atendemos:

- muitos desconhecem o Espiritismo e assistidos ou acompanhantes vêem com estranheza e suspeita o toque pessoal;
- somos criaturas ainda imperfeitas e o toque físico pode desviar-nos da elevação de pensamento necessária ao passe. Portanto, prevenindo males maiores e salvaguardando o trabalhador do passe e a casa espírita de quaisquer prejuízos ou suspeita, recomenda-se a aplicação do passe sem qualquer toque no receptor.

Reflexos

Na execução de sua tarefa, o passista pode, algumas vezes, experimentar sensações relacionadas com o problema do assistido.
Como está imbuído do desejo de ajudar o semelhante, é compreensível que se sintonize com ele, a ponto de experimentar reflexos dos seus padecimentos. Toda tarefa de assistência pede abnegação. Mas o passista dispõe de recursos para eliminar os reflexos e poderá abreviar tal providência, tendo a mente voltada para a prece e a perseverança no bem.
Nos passes em pessoas sob a atuação de espíritos em desequilíbrio, o passista poderá registrar reflexos negativos desde a hora em que se dispõe a ajudar, podendo perdurar ainda depois do passe. É compreensível que os espíritos envolvidos na trama obsessiva, conhecendo-lhe a disposição de colaborar, pretendam arrefecer-lhe o ânimo, afastando-o do caminho do enfermo. Fé, perseverança no trabalho são a melhor medida para a superação desses obstáculos. E não nos esqueçamos de que a proteção espiritual é constante.

Exaustão

O passista, como mero instrumento que, através da prece, recebe para dar, não precisa "jamais temer a exaustão das forças magnéticas" (André Luiz, cap. 28 de "Conduta Espírita"). Portanto, desde que haja imperiosa necessidade, o passista poderá aplicar tantos passes quantos forem precisos, confiante no inesgotável manancial da infinita misericórdia de Deus. Contudo, poderá sentir cansaço físico ou mental por estar aplicando passes em muitas pessoas e por muito tempo. Cabe ao passista, mesmo reconhecendo ser um simples intermediário, poupar suas reservas energéticas evitando excessos desnecessários ou mau uso, e buscará os meios naturais que o auxiliem na mais rápida recuperação (oração, repouso, alimentação). Desse modo ajudará o esforço da espiritualidade em seu favor.

Topo

Finalizando o passe

Resultados do Passe

Não obstante a ajuda dos bons Espíritos, o resultado do passe dependerá das condições do passista e do receptor. Tendo recebido o passe, alguns enfermos se sentem curados, outros acusam melhoras, outros permanecem impermeáveis ao serviço de auxílio.

Classificando o resultado do passe, daremos que ele pode ser:

Benéfico
Quando o passista está em condições físicas e espirituais para transmiti-lo e quem recebe está receptivo.

São sempre benéficos os resultados de um passe alicerçado na oração e na sinceridade de propósitos. Porém, podem parecer mais ou menos expressivos, porque há que se considerar as necessidades evolutivas e provacionais do assistido.

Às vezes, a ajuda do passe pode se traduzir em melhor disposição mental, em confiança e resignação. Mesmo bom, o resultado do passe será passageiro, não se fixará em definitivo, se a pessoa não mantiver conduta cristã aconselhável.

Maléfico
Quando o passista está despreparado física e espiritualmente e emite fluídos grosseiros / perturbadores em direção ao assistido e esse, também despreparado, não sabe ou não pode fazer frente à carga fluídica que recebe do passista.


Não sofrerá prejuízo o assistido que:

- acionar seu próprio potencial fluídico para repelir, neutralizar ou modificar os maus fluidos que lhe foram endereçados;
- merecer a interferência de bons Espíritos em seu favor;
- haverá efeito nulo, quando o assistido, embora receba boa ajuda do passista, se mantém impermeável (descrença, leviandade, aversão). Neste caso, as energias não absorvidas pelo assistido se combinam com os fluidos ambientes e ficam, assim, de patrimônio geral, até serem canalizadas ou atraídas para quem lhes ofereça receptividade.

Atitude do Passista diante dos bons resultados alcançados no passe:

Qualquer que seja a sua modalidade, o passe, em última análise, procede de Deus, sendo o passista um instrumento de Sua vontade. Como intermediário dessa vontade, tendo entregue a condução do seu trabalho ao Plano Superior , o passista, com naturalidade e humildade evitará:
- "contemplar" excessivamente os bons resultados alcançados - porta aberta à vaidade;
- falar sempre dos benefícios que tem proporcionado com seus passes - ostentação orgulhosa;
- ficar curioso ou aflito por resultados nos passes - semeamos o bem, mas a germinação, desenvolvimento, flor e fruto dele pertencem a Deus. Certo é, porém, que haverá sempre uma recompensa natural para quem se doa no passe.

Dando, recebemos; e, geralmente, recebemos bem mais do que damos, porque Deus é infinitamente generoso.

Topo

Prece final

Quanto aos resultados do passe, quer tenham sido amplos ou reduzidos, com a permissão divina e a ajuda dos bons espíritos, nele tivemos a oportunidade de servir em nome de Jesus. Cumpre-nos, pois, agradecer numa oração, pelo que nos foi dado realizar.

(Dados extraído do livro "Fluidos e Passes", de Therezinha de Oliveira)

Topo